Origem e história
O Riesling teve origem na região renana da Alemanha, onde a primeira menção documentada aparece em 1435 num documento dos Condes de Katzenelnbogen. Já no século XVIII, o Riesling alemão era considerado um dos maiores vinhos do mundo — atingindo preços iguais aos dos melhores de Bordéus. A casta é notavelmente resistente ao frio, capaz de amadurecer no clima fresco e marginal da Alemanha onde outras castas falhariam. Hoje, a Alemanha, a França (Alsácia) e a Áustria são os seus lares espirituais, enquanto a Austrália, a Nova Zelândia e os Estados Unidos produzem interpretações respeitadas do Novo Mundo.
Regiões de cultivo
O vale do Mosel na Alemanha — com as suas encostas de ardósia a pique e o microclima fresco — produz os Riesling mais etereamente delicados: baixos em álcool (por vezes apenas 8%), cristalinos na clareza e capazes de uma longevidade imortal. As regiões renanas de Rheingau e Pfalz produzem estilos mais encorpados. A Alsácia em França produz Riesling mais ricos, secos e poderosos. Clare Valley e Eden Valley na Austrália produzem um estilo seco distintivo com complexidade de querosene e precisão de lima.
Características do vinho
A beleza do Riesling reside na sua tensão — entre a acidez altíssima e a doçura concentrada nos estilos mais doces, ou entre a austeridade e a complexidade aromática nas versões secas. O nariz é sempre de notas altas e precisas: maçã verde, lima, pêssego, alperce e flores brancas na juventude; com a idade, desenvolvendo aromas de petróleo ou querosene que paradoxalmente sinalizam grande qualidade. O palato tem uma acidez electrizante e um final laser-aguçado e persistente. Os grandes Rieslings melhoram durante 20–40 anos.
Harmonizações
A acidez do Riesling torna-o um vinho universal para a gastronomia. Os estilos secos combinam lindamente com a cozinha asiática — pratos tailandeses, vietnamitas e chineses com gengibre, erva-limão e malagueta. A ligeira doçura do Riesling alemão é icónica com pratos de porco especiado e Wiener Schnitzel. O marisco — especialmente caranguejo, vieiras e truta grelhada — é uma harmonização natural. O Riesling alsaciano adapta-se à própria choucroute garnie e ao queijo Munster da região. Os estilos meio-secos equilibram salmão fumado e foie gras.
Vinhos notáveis
- Egon Müller Scharzhofberger Trockenbeerenauslese (Mosel) — entre os vinhos mais raros e maiores do mundo
- JJ Prüm Wehlener Sonnenuhr Spätlese (Mosel) — a referência do Riesling do Mosel
- Trimbach Clos Sainte Hune (Alsácia) — o Riesling mais celebrado de França
- Grosset Polish Hill Riesling (Clare Valley, Austrália) — uma lenda do Hemisfério Sul